Desperdício Alimentar

01.09.2021


No dia 29 de setembro celebra-se o Dia Internacional de Consciencialização da Perda e Desperdício Alimentar.

            Os alimentos são produzidos com o propósito de serem consumidos, no entanto 33% de todos os alimentos produzidos são desperdiçados em toda a cadeia, havendo regiões onde o desperdício chega aos 40%. Esses alimentos que não cumprem a sua finalidade, constituem o que se entende por "desperdício alimentar”, tornando-se um problema em toda a cadeia alimentar, da produção ao consumo.

            Observa-se uma relação direta entre o desenvolvimento económico e o nível de desperdício alimentar. Na Europa, as projeções mostram que entre 30 a 50% dos alimentos são desperdiçados anualmente ao longo da cadeia alimentar, até chegar ao consumidor. Isto equivale, nos 28 estados membros da União Europeia (estudo realizado antes da saída do Reino Unido em 2020), a 173kg de alimentos desperdiçados por pessoa. Neste contexto, a redução do desperdício alimentar é particularmente importante e também uma obrigação moral num mundo onde cerca de 1/6 da população passa fome e onde 870 milhões de pessoas estão desnutridas.

            Em Portugal, considerando o desperdício alimentar ao longo das diferentes fases da cadeia alimentar, estima-se que 17% da produção alimentar anual é perdida, cerca de 1 milhão de toneladas.

            A melhoria deste cenário requer a ação e o compromisso de todos. Implica a adopção na sociedade civil, na administração pública e no governo, de estratégias, políticas e comportamentos que previnam e reduzam os custos económicos, sociais e ambientais inerentes ao desperdício alimentar, aumentando a eficiência da cadeia alimentar. O reaproveitamento, redistribuição e reciclagem dos produtos são fundamentais para a redução do desperdício alimentar. Para além disso, a segurança alimentar, a qualidade alimentar e as boas práticas em todas as etapas da cadeia influenciam positivamente a redução desse desperdício.

 

            Em Portugal são vários os projetos que combatem o desperdício alimentar, nos quais é possível participar e envolver-se. Conheça o Good After, um supermercado de produtos aptos para consumo, mas com uma menor validade, fazendo com que os preços desses produtos sejam mais baixos que o habitual. É um supermercado com encomendas online e distribuição para todo o país. A ReFood e o Too Good To Go são dois projetos que aproveitam as sobras de refeições de restaurantes e outros estabelecimentos comerciais e dão-lhes outro destino, ao invés do lixo. Estes alimentos podem ser entregues a famílias carenciadas ou até vendidos a um preço muito mais acessível. A Dose Certa tem trabalhado neste combate através da educação das quantidades e tamanhos adequados das porções servidas, especialmente em restaurantes. E ainda, o projeto Fruta Feia que aproveita a fruta e legumes com qualidade, mas sem a aparência exigida para comercialização, que normalmente são desperdiçados pelos produtores. Este projeto prepara cestas de produtos "feios” e distribui/vende por quem aceita estes alimentos. Descubra também o projeto Slow Food. É um projeto internacional que apoia produções em pequena escala de produtos de excelência que conservam a cultura e as tradições locais. Em Portugal, temos 27 produtos que cumprem as características deste conceito: bom, limpo, justo e filosófico.

 

            Para além do apoio a projetos já implementados, podemos contribuir para a redução do desperdício alimentar também no nosso dia a dia. As nossas escolhas e atitudes individuais têm um contributo muito importante para este combate, especialmente se as partilharmos e incentivarmos a que mais pessoas as pratiquem.

Estes são alguns exemplos dessas ações:

-    Fazer lista de compras antes de se dirigir a uma superfície comercial e adquirir de acordo com o consumo do agregado familiar, não comprando excedentes;

-    Comprar alimentos avulso pode facilitar na aquisição adequada da quantidade que precisa;

-    Verificar o prazo de validade dos produtos no momento da compra. Não comprar uma quantidade exagerada de alimentos, caso tenham um curto prazo de validade;

-    Organizar o frigorífico e a despensa, colocando os alimentos com menor prazo de validade à frente e atrás os de maior validade;

-    Consumir, em primeiro lugar, os alimentos mais perecíveis;

-    Comprar os frescos (frutas e legumes) de acordo com o consumo, ou seja, algumas peças mais maduras outras em menor estado de maturação. Pode também optar por alimentos congelados caso não faça um consumo dos legumes frescos em tempo útil;

-    Congelar produtos frescos para retardar a sua degradação, como por exemplo pão;

-    Guardar as sobras dos alimentos confeccionados para as refeições e consumi-los no prazo máximo de 3 dias, requerendo apenas uma vez;

-    Aproveitar as sobras e partes, normalmente, inutilizadas dos alimentos (por exemplo: cascas, talos) para outras receitas (sopas, cremes, molhos, temperos…);

-    Fazer compostagem dos resíduos orgânicos e utilizá-la como fertilizante na sua horta ou canteiro de plantas.

 

 

            Para preservar o futuro, as escolhas e medidas certas devem ser feitas hoje com um forte compromisso de todos nós.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Nutricionista Susana Francisco, nº 3215N

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